AO MEDRONHO

Em terras xísticas, ácidas, rochosas
vive o autóctone persistente
como um rebelde resiliente
com as suas frutas verrugosas
traz-nos beleza no seu bago ardente.

Flôr e fruto coabitam
num ciclo em tudo diferente.
Num longo e esperado amadurecer
cuidados mil nas mãos a colher
garimpam o bago reluzente
como minério precioso do rio.

No alambique fermenta a joia
no ramo amarela, laranja e por fim vermelha
ao lume, horas de seca e reposta lenha
ferve na caldeira, fermenta e serpenteia
até gota a gota surgir a bela medronheira.

Não é só a aguardente límpida que se retira,
que se bebe, nos limpa e nos revira.
Há sápidos segredos nesta planta arbustiva.

Seu valioso mel para avivar a beleza.
Seu ornamento com flor e fruto para a mesa.  
Sua baga madura e fresca de saber a natureza.


Luísa Costa Macedo
Outubro 2017