Ser, deixar de ser e voltar

Mil e uma mensagens apareciam,
sem pedirem, sem autorização.
E o telefone tocava, irritava
numa incessante repetição.
Requests, projects e outros tantos maps
surgiam sem dó e sem hora.
E eu só pedia tempo,
quero é sair daqui para fora!

Deu-se a coragem da pausa,
ou a loucura da calma.
E o tempo aí veio, sedutor inicial
sem horários e obrigações
sem palpitações
sem vendaval.
E eu só queria gozá-lo,
num eterno Carnaval!

E o tempo a mais surgiu,
num tédio, lento e solitário
sem som, sem palavra e sem letra
sem companhia, sem cumplicidade,
sem sintonia.
A coragem outrora ganha, perdeu-se.
A confiança antes instalada, mirrou.
E o cérebro, esse bago seco inchou,
com sonhos de químicos inflamados.

Dá-me a festa da taquicardia,
do stress e do barulho das luzes.
Dá-me as horas da energia,
da pressão, das lágrimas e da urbe.
Da falta de sono e novas caras,
da dança, da conversa e da ironia.
Do copo, do prato e da mesa,
cheia de trabalho e euforia.

Tira-me o tempo a mais,
e põe-me no caldeirão.
Dá-me a minha vida de volta,
dá-me a minha razão.

Luísa Costa Macedo

Setembro 2016