Nomes, listagens e contactos,
autores, professores e artistas.
Quem é quem neste tabuleiro,
e quais as melhores pistas,
para descobrir o planeta livreiro
com várias luas e raras vistas.
Grupos, chancelas e independentes
livros em destaque e outros ausentes.
Uns dão valor, outros dão dor
de tanta lágrima e emoção não despontada.
Faço-me então presente, lanço um novo clamor,
salto agora da toca, pronta para o caçador.
Muros, torres de marfim e portas fechadas,
respostas nulas, sem sentido ou encriptadas.
Feedbacks virtuais, trilingues e automáticos,
parcas conversas e silêncios sintomáticos.
Raras são as aves de brilho dotadas
personalizadas de cor, som e de escrita fadadas.
Toco ao telefone, toco à porta,
mas o patrocínio é novo inquilino.
Luísa Costa Macedo
Abril 2017
Nem sequer mexia uma palha
A palha não mexe, a folha não cai,
a carruagem não se ouve a passar.
Só a calma se vê
na luz pálida do mar.
Só a luz verde do farol
se ilumina intermitente
e nos lembra quem somos.
Ouvem-se melros
e os verdes papagaios urbanos,
que vindos de longe habitam
numa improvável simbiose,
a nespereira doce e profícua.
Agora só o silencio se ouve,
lembrando-nos que somos humanos.
O cheiro doce da dama-da-noite
chega-me com o luar
despertando o sonho apagado.
Fecho os olhos,
o cabelo agora voa
levando-me, a mim,
numa levitação amniótica segura.
A pele agora ferve,
com os poros de suor abertos.
O corpo tenso contorce-se
numa sesta febril e carnal
onde as entranhas gulosas e satisfeitas
se intrometem nos meus desejos
com um sapateado visceral.
Luísa Costa Macedo
Abril 2017
Ser, deixar de ser e voltar
Mil e uma mensagens apareciam,
sem pedirem, sem autorização.
E o telefone tocava, irritava
numa incessante repetição.
Requests, projects e outros tantos maps
surgiam sem dó e sem hora.
E eu só pedia tempo,
quero é sair daqui para fora!
Deu-se a coragem da pausa,
ou a loucura da calma.
E o tempo aí veio, sedutor inicial
sem horários e obrigações
sem palpitações
sem vendaval.
E eu só queria gozá-lo,
num eterno Carnaval!
E o tempo a mais surgiu,
num tédio, lento e solitário
sem som, sem palavra e sem letra
sem companhia, sem cumplicidade,
sem sintonia.
A coragem outrora ganha, perdeu-se.
A confiança antes instalada, mirrou.
E o cérebro, esse bago seco inchou,
com sonhos de químicos inflamados.
Dá-me a festa da taquicardia,
do stress e do barulho das luzes.
Dá-me as horas da energia,
da pressão, das lágrimas e da urbe.
Da falta de sono e novas caras,
da dança, da conversa e da ironia.
Do copo, do prato e da mesa,
cheia de trabalho e euforia.
Tira-me o tempo a mais,
e põe-me no caldeirão.
Dá-me a minha vida de volta,
dá-me a minha razão.
Luísa Costa Macedo
Setembro 2016
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