Ao passar na ponte não gritei tudo


Gritei o livro
Folhas tão cheias
Foram palavras
Tinta sem crivo

Gritei o livro
Páginas ocas
Escapavam soltas
Pena sem tinta

Rasguei a alma
Ouvi poetas
Dei minha palma
de tábua viva

Da ponte louca
Fiz pergaminho
Não era a outra
Nem eu no caminho

              Luísa Costa Macedo
                         11 Fev 2020