O homem da Calçada

Salto sobre o geométrico
Portuguesa é a forma
Pendurado no elétrico
Lê na curva a memória

Paisagem a preto e branco
Com recortes linha reta
Traz tramas de pó concreta
Homem da cidade aberta

O céu tijolo estação
Risca a cinza do seu passo
Apressado desse nada
Nem o tejo de terraço
Lhe navega a razão
Pedra negra impregnada
Cerceia seu coração
                   

      Luísa Costa Macedo
      12 fevereiro 2020

Ao passar na ponte não gritei tudo


Gritei o livro
Folhas tão cheias
Foram palavras
Tinta sem crivo

Gritei o livro
Páginas ocas
Escapavam soltas
Pena sem tinta

Rasguei a alma
Ouvi poetas
Dei minha palma
de tábua viva

Da ponte louca
Fiz pergaminho
Não era a outra
Nem eu no caminho

              Luísa Costa Macedo
                         11 Fev 2020