A minha homenagem ao Dia de Todos os Santos, Dia de Los Muertos ou Halloween

Inside the snake’s mouth (Lyrics for a dark indie song)

Inside the snake’s mouth
While I fade slowly
Comes a last doubt
Should dead be this sweet

No doubt
It’s sweet
No doubt
It’s a candy treat

Inside the wolf’s pack
While I rest peacefully
Downs the night in black
Should danger be this warm

No doubt
It’s warm
No doubt
It’s a soft flown

Inside the bear’s cage
While I stretch my bones
Smells a honey flange
Should Hunger be so bright

No doubt
It’s bright
No doubt
It’s a mind light

Inside the limbs and water creatures
While my face turns purple
the revolving and speaking waters
embraces cold in a hot bubble

No doubt it’s coming to save me
No doubt it’s coming to pace me.

Luísa Costa Macedo
October 2017









Fome


Ânsia do alimento
da alma
não tripa.

Algo que me dê alento
acalma
não frita.

Que me dê pura frescura
natura
da água.

Que seja da malga pura
apura
sem mágoa.

Traz boa saciedade
com graça
não pesa.

Traz sonhada liberdade
abraça
não lesa.


Luísa Costa Macedo




AO MEDRONHO

Em terras xísticas, ácidas, rochosas
vive o autóctone persistente
como um rebelde resiliente
com as suas frutas verrugosas
traz-nos beleza no seu bago ardente.

Flôr e fruto coabitam
num ciclo em tudo diferente.
Num longo e esperado amadurecer
cuidados mil nas mãos a colher
garimpam o bago reluzente
como minério precioso do rio.

No alambique fermenta a joia
no ramo amarela, laranja e por fim vermelha
ao lume, horas de seca e reposta lenha
ferve na caldeira, fermenta e serpenteia
até gota a gota surgir a bela medronheira.

Não é só a aguardente límpida que se retira,
que se bebe, nos limpa e nos revira.
Há sápidos segredos nesta planta arbustiva.

Seu valioso mel para avivar a beleza.
Seu ornamento com flor e fruto para a mesa.  
Sua baga madura e fresca de saber a natureza.


Luísa Costa Macedo
Outubro 2017