Mordi a maçã laminada do Adão
mergulhando nesse fundo líquido-fresco,
fluía a conversa num sorriso aberto
soltando a respiração em fuga de arabesco.
Lá no fundo onde se vê o mundo de permeio
azul, cinza, verde, branco,
luminoso, chuvoso ou de veraneio,
descontraio agora num silêncio sem receio.
Infantil que sou agora outra vez
ou que nunca o quis deixar de ser,
saboreio então as horas passadas
sem esforço nem rodeios, só mesmo ele: o prazer.
Luísa Costa Macedo
Maio 2017