Extinção X Criação


Século XXI. Um filho chora convulsivamente olhando em desespero para o seu irmão mais novo, morto, nos braços de seu pai. Foi asfixiado com armas químicas, vendidas ao seu país pelas grandes potências. Num outro continente  loucos compram armas de guerra em hipermercados. Entram em escolas e matam jovens estudantes. Em 2018 mulheres refugiadas trocam favores sexuais por comida vinda da ajuda humanitária. No outro lado do Atlântico come-se lixo e grávidas famintas dão à luz crianças mortas. Noutro país a água escasseia e há cidades com reservas só por mais um mês. No meu país ardeu tudo e morreram dezenas de pessoas queimadas na estrada quando fugiam do fogo. Nos Oceanos os corais morrem e as ilhas flutuantes de resíduos de plástico têm o tamanho de países. Há espécies marinhas que já adotaram os micro plásticos como alimento, ficando viciadas. Há neve onde nunca houve neste século. Os glaciares derretem, o nível do mar sobe. Há tempestades devastadoras, tremores, furacões, cheias, inundações, seca extrema e novas espécies extintas. 
Século XXI. Uma empresa põe a sua máquina em órbitra. Os carros já podiam ser todos silenciosos e não poluentes. Comunicamos com todos, sobre tudo e em todo o lado. A inteligência artificial avança para beneficio (dizem) da humanidade. A investigação na cura para as grandes doenças progride otimista. Nas partituras ainda se escrevem novas melodias. No meio da guerra ainda se trocam e leem livros. Ainda há amor fraterno. A Mulher e o Homem ainda se amam. As crianças ainda nascem.  No papel virtual luminoso o dicionário ainda assume a palavra vida. A palavra esperança ainda está escrita nas estrelas de uma noite limpa e amena. E o sol ainda nasce para todos.

Combinações perfeitas: “Chá e Amor” de Yasunari Kawabata

 A linda capa de “Chá e Amor” (editora Vega) cujo autor foi 
prémio Nobel em 1968. O primeiro a ser atribuído à literatura japonesa.