Entrevista à escritora Maria Teresa Horta por Anabela Mota Ribeito no CCB. Duas horas e meia de conversa muito interessante.
Um final de domingo muito bem passado a ouvir a poetisa Maria Teresa Horta no CCB
Entrevista à escritora Maria Teresa Horta por Anabela Mota Ribeito no CCB. Duas horas e meia de conversa muito interessante.
Extinção X Criação
Século XXI. Um filho chora convulsivamente olhando em
desespero para o seu irmão mais novo, morto, nos braços de seu pai. Foi asfixiado
com armas químicas, vendidas ao seu país pelas grandes potências. Num outro
continente loucos compram armas de
guerra em hipermercados. Entram em escolas e matam jovens estudantes. Em 2018
mulheres refugiadas trocam favores sexuais por comida vinda da ajuda
humanitária. No outro lado do Atlântico come-se lixo e grávidas famintas dão à
luz crianças mortas. Noutro país a água escasseia e há cidades com reservas só
por mais um mês. No meu país ardeu tudo e morreram dezenas de pessoas queimadas
na estrada quando fugiam do fogo. Nos Oceanos os corais morrem e as ilhas
flutuantes de resíduos de plástico têm o tamanho de países. Há espécies
marinhas que já adotaram os micro plásticos como alimento, ficando viciadas. Há
neve onde nunca houve neste século. Os glaciares derretem, o nível do mar sobe.
Há tempestades devastadoras, tremores, furacões, cheias, inundações, seca
extrema e novas espécies extintas.
Século XXI. Uma empresa põe a sua máquina em órbitra. Os
carros já podiam ser todos silenciosos e não poluentes. Comunicamos com todos,
sobre tudo e em todo o lado. A inteligência artificial avança para beneficio (dizem)
da humanidade. A investigação na cura para as grandes doenças progride otimista.
Nas partituras ainda se escrevem novas melodias. No meio da guerra ainda se
trocam e leem livros. Ainda há amor fraterno. A Mulher e o Homem ainda se amam.
As crianças ainda nascem. No papel
virtual luminoso o dicionário ainda assume a palavra vida. A palavra esperança ainda
está escrita nas estrelas de uma noite limpa e amena. E o sol ainda nasce para
todos.
Combinações perfeitas: “Chá e Amor” de Yasunari Kawabata
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