E para quem ainda não tem o livro "Para onde vai?" pode encontrá-lo, este natal, nas seguintes livrarias:


- Oeiras - Livraria Gatafunho (centro histórico de Oeiras)
- Oeiras - Promobooks do Centro Comercial Palmeiras
- Algés - Livraria Espaço (a mais antiga do concelho de Oeiras)
- Miraflores - Promobooks do Centro Comercial Dolce Vita Miraflores
- Lisboa - Baobá em Campo de Ourique (livraria dedicada a livros infantis e ilustrados)
- Lisboa - Promobooks do Apolo 70 (Campo Pequeno)
- Santa Cruz (Silveira)- Promobooks da Praia de Santa Cruz
- Feira do Livro da Lourinhã até 27 de Dezembro.


Ou pode encomendá-lo diretamente em macedo_luisa@yahoo.com

O lançamento do meu livro "Para onde vai?" foi uma grande festa!







Foi no Museu Nacional dos Coches.





Estava tudo pronto para receber os convidados.




A autora feliz com tantos amigos e família.



Fizemos muitas brincadeiras.
Foi um dia em grande. Obrigada a todos!

Fogo fátuo

Debicavas o chá fresco a levitar.                                   
O copo, bebia-lo como se néctar dos deuses fosse. A tua postura diferente, relaxada e incomumente sensual. 

Sentei-me à tua frente vindo num rasto de fumo e pressão.                                      

Estavas com uma nova cara.                     
Outra pessoa. Até a tua roupa era de novos e estranhos fios, feita de uma daquelas tonalidades que nunca tinhas ousado usar. Um rosa forte flor-de-trópicos que te iluminava a pele.


Nos teus olhos um brilho adolescente. 

Do encantamento, da pureza que vem de uma felicidade há muito esquecida. Daquela que é impossível coexistir num quotidiano de trabalho cinzento ou na repetição da vida de casa. Os círculos negros à volta dos teus olhos (lindos, sempre, mesmo assim) tinham desaparecido sob essa nova faísca quase sobrenatural.


Parecias mais leve. 

A doçura amarga meteste-a no saco colorido que trazias e, em vez dessa, uma astúcia lúbrica e brincalhona que saltitava como um pequeno pardal. De bicos de pés eras agora uma bailarina que se movia graciosamente sem esforço aparente. O mundo já não estava sobre as tuas costas.                                                                                          

Perguntei-te, então, se já estavas de volta.  
Subitamente azulaste num fogo fátuo, ficando só uma pequena e parda pena entalada no buraco da velha cadeira de palha do café do coreto.



                                          Luisa Costa Macedo

Seda


Liberdade solta no cabelo
Revolto e ateu.
Riso largo e cabeça meneante.

Numa corrida o lenço esvoaçante
Foge de mim e envolve-te terno
Num sedoso abraço de novelo.

Tomo dianteira para o apanhar
Mas já a seda havia derretido
Entre a maçã de Adão e o teu corpo esculpido.

POESIA EM PROGRESSÃO II

Por enquanto só estes dois pássaros a leram. Agora vai a concurso. No futuro, quem sabe, possamos todos lê-la num livrinho pequeno mas bonito.

Extinção X Criação


Século XXI. Um filho chora convulsivamente olhando em desespero para o seu irmão mais novo, morto, nos braços de seu pai. Foi asfixiado com armas químicas, vendidas ao seu país pelas grandes potências. Num outro continente  loucos compram armas de guerra em hipermercados. Entram em escolas e matam jovens estudantes. Em 2018 mulheres refugiadas trocam favores sexuais por comida vinda da ajuda humanitária. No outro lado do Atlântico come-se lixo e grávidas famintas dão à luz crianças mortas. Noutro país a água escasseia e há cidades com reservas só por mais um mês. No meu país ardeu tudo e morreram dezenas de pessoas queimadas na estrada quando fugiam do fogo. Nos Oceanos os corais morrem e as ilhas flutuantes de resíduos de plástico têm o tamanho de países. Há espécies marinhas que já adotaram os micro plásticos como alimento, ficando viciadas. Há neve onde nunca houve neste século. Os glaciares derretem, o nível do mar sobe. Há tempestades devastadoras, tremores, furacões, cheias, inundações, seca extrema e novas espécies extintas. 
Século XXI. Uma empresa põe a sua máquina em órbitra. Os carros já podiam ser todos silenciosos e não poluentes. Comunicamos com todos, sobre tudo e em todo o lado. A inteligência artificial avança para beneficio (dizem) da humanidade. A investigação na cura para as grandes doenças progride otimista. Nas partituras ainda se escrevem novas melodias. No meio da guerra ainda se trocam e leem livros. Ainda há amor fraterno. A Mulher e o Homem ainda se amam. As crianças ainda nascem.  No papel virtual luminoso o dicionário ainda assume a palavra vida. A palavra esperança ainda está escrita nas estrelas de uma noite limpa e amena. E o sol ainda nasce para todos.

Combinações perfeitas: “Chá e Amor” de Yasunari Kawabata

 A linda capa de “Chá e Amor” (editora Vega) cujo autor foi 
prémio Nobel em 1968. O primeiro a ser atribuído à literatura japonesa. 

Ser ao fazer

Ser bondoso, trabalhador, esperto, chico-esperto, inteligente, aldrabão, mentiroso, honroso, ético, corrupto, compreensivo, perfecionista, egoísta, egocêntrico, magnânimo, líder, colaborante, principiante, raposa-velha, dinossauro, estreante, estagiário, explorador, explorado, generoso, intenso, fraco, forte, calmo, agitado, conflituoso, completo, alegre, entusiasta, feliz, incerto, instável, miserável, amável, doce. Fazer voar, nadar, pular, escrever, ganhar, cantar, contar, desenhar, combater, ensinar, operar, correr, construir, destruir, reciclar, conduzir, cuidar, vender, servir, pensar, transportar, proteger, cozinhar, plantar, pescar, caçar, matar, transformar, viajar, costurar, analisar, estudar, explorar, jogar, traficar, curar, calcetar, pintar, lavar, agitar, amar. Saber o que queremos fazer assim que nascemos. Fazê-lo. Inato. Temos um dom. Dominamo-lo. Não saber o que queremos fazer. Não saber quem somos no fazer. Conhecermo-nos. Destino fazermos aquilo que achamos que a vida nos destinou e assumi-lo sem duvidar. Questionemos. Escolher irmos para cima, para baixo, em frente, para trás, o mais difícil, o mais fácil, o ardiloso, o esforçado, sozinho, acompanhado. Escolher o bem, não o mal. O livre arbítrio. Mudar de ideias traçarmos um caminho inicial. Contrariá-lo. Mudar de rota. Go with the flow deixarmo-nos levar pelos ventos e marés. Esperando os bons portos. Há que remar. Sem stress simplesmente, não esperar nada. O que vier, virá. A paz de espírito constrói-se. Não fazer apenas viver do estímulo- reação. Não criar. A vida não é um reflexo condicionado.
Fazer definir-nos-á irremediavelmente. Não fazer também. Estamos sempre a tempo de Ser.
                                                                                  
                                                                                   Luísa Costa Macedo

Filho

Nascer.
Criar.
Cuidar, educar, mimar, exigir, temer, sofrer, entender.
Todos os segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, vida.
Libertar.
E nos seus olhos estamos nós. Nos seus gestos existimos. Na sua história continuamos.

A amar.