
Toquei na carapaça de fóssil dinossáurico e
tateei buscando uma entrada
na parede dura sem direito a lamentações.
E sem lamentações persisti, insisti, encolhi,
entrei e encontrei uma floresta de cartilagens intrincadas pontiagudas, cortantes, rijas.
Abri caminho, estraçalhando a minha pele,
com a razão rasgada e ensanguentada.
Abri caminho, devastei, cortei, parti e cai.
Cai no caudal largo de sangue
liquido, espesso e abundante.
Remei na torrente de lava sanguínea,
numa tempestade de A negativo Mistral
afogando-me num sufoco quente.
Quente, para além do suportável
estavam as pedras a que me agarrei
escaldando as minhas palmas até as linhas da cigana
encarquilharem fritas, ficando só a carne.
E em carne desci, rio sangue abaixo
a asfixiar lentamente até chegar a
uma lava fria, por onde andei e me salvei,
agarrada ao rochedo do teu coração gelado.
Texto e foto de Luísa Costa Macedo
Julho 2017